A via mais sustentável para evitar doenças e pragas no cultivo de vegetais é desenvolver variedades que sejam resistentes. O desenvolvimento de uma nova variedade costumava demorar mais de vinte anos. Graças às novas tecnologias, como a cultura de tecidos, a tecnologia de marcadores e a bioinformática, este período pode ser reduzido para apenas quatro a oito anos.

Em todo o mundo, os produtores de vegetais fornecem produtos saborosos e saudáveis que procuram corresponder às exigências do consumidor. Estes profissionais estão habituados a trabalhar com as possibilidades e os desafios que a natureza lhes proporciona.

Uma parte importante do trabalho deles é evitar doenças e pragas. Por vezes, é necessário um pesticida para manter uma cultura saudável, mas os produtores optam por recorrer o mínimo possível a químicos. O tratamento exige, muitas vezes, energia da planta e envolve custos. Além disso, existem doenças e pragas para as quais não existe qualquer pesticida, como a hérnia das crucíferas (Plasmodiophora brassicae), um agente patogénico do solo que pode causar danos sérios às brássicas, como a cultura de couves.

Resistência natural

A natureza oferece quase sempre a solução. Algumas plantas têm uma resistência natural às infeções causadas por fungos ou bactérias. Por vezes até se conseguem defender contra pragas. A partir dessas características herdadas úteis, os obtentores podem selecionar e desenvolver variedades que tenham adquirido estas características de resistência.

A Bejo possui variedades, tais como a couve roxa, a couve pak choi, a couve chinesa, a couve branca e a couve-flor, que são resistentes a certas estirpes (physios) da hérnia das crucíferas.

A reprodução vegetal tradicional é um processo que consiste na seleção de plantas com as características pretendidas e na sua sujeição a um processo de cultivo seletivo ao longo de várias gerações. Serão necessários pelo menos vinte anos até que possa ser colocada uma nova variedade no mercado utilizando este método clássico. As empresas de cultivo seletivo atuais conseguem fazer isto muito rapidamente. Graças às "ciências da vida", como a cultura de tecidos, a utilização de marcadores de ADN e a bioinformática, este período pode ser reduzido – dependendo da variedade – para apenas quatro a oito anos.

Começar no campo

Como é que isto funciona na prática? A Bejo começa no campo. Os nossos representantes visitam os produtores de vegetais diariamente. Eles são os primeiros a alertar para um foco de uma determinada doença das plantas numa região, por exemplo, um fungo. Se surgir um problema de cultivo estrutural, isto poderá ser um motivo para a Bejo dar início a um programa de cultivo seletivo para promover a resistência à doença.

Isolamento de agentes patogénicos

Quando se procura obter uma maior resistência através do cultivo seletivo, é importante conhecer o agente patogénico e a variante (physio) em causa. Por exemplo, existem, pelo menos, nove variantes (physios) conhecidas da hérnia das crucíferas mencionada anteriormente. Estas variantes muitas vezes são específicas de determinadas regiões ou zonas climáticas.

O cultivo seletivo para efeitos de resistência começa com a identificação da causa. Os nossos investigadores realizam este processo no departamento de Análise de conteúdo e fitopatologia. Eles isolam o agente patogénico que depois é cultivado para efeitos de reprodução. Isto resulta num isolamento que depois é utilizado para realizar um "teste de doença". Por outras palavras: eles infetam uma população de plantas. As plantas que permanecerem saudáveis serão selecionadas pelos nossos obtentores para servirem de base a uma variedade resistente.

O desenvolvimento de novas variedades de vegetais resistentes

Tecnologia de marcadores e bioinformática

No cultivo seletivo moderno, também pesquisamos o ADN da planta. Estamos sobretudo interessados em segmentos de ADN que são típicos de uma determinada característica, ou seja, os marcadores de ADN. Assim que o nosso departamento de Tecnologia de marcadores e genómica identifica o marcador para a resistência relevante, podemos realizar um processo de seleção muito mais rápido. Deste modo, não precisamos de realizar mais testes de doença, o que significa que já ganhamos mais um ano. Os nossos investigadores apenas necessitam de algumas células da planta para produzir um perfil de ADN para determinar se a planta possui ou não as características pretendidas. Isto pode ser feito a partir do momento em que a planta ainda é muito pequena, o que também permite poupar imenso tempo. Graças à bioinformática, podemos investigar várias resistências ao mesmo tempo. Os obtentores utilizam testes de marcadores seletivos para analisar a resistência de uma população de plantas para mais tarde realizar investigações adicionais com as "vencedoras". Por exemplo, os testes de ADN também permitem o "empilhamento" de resistências ou o cultivo seletivo para efeitos de resistência a três agentes patogénicos de doenças diferentes ao mesmo tempo.

Graças à automatização e à robotização, os nossos investigadores conseguem processar amostras em grandes quantidades e analisar ligações complexas.

Cultura de tecidos e resgate de embriões

Para se conseguir a próxima geração de plantas num curto período de tempo, no departamento de Cultura de tecidos e biologia celular recorremos à cultura de tecidos e ao resgate de embriões. Através destas técnicas, é possível propagar uma planta selecionada ou acelerar a sua uniformidade.

Além disso, podemos também aumentar as possibilidades de sucesso de uma única planta cruzada ao utilizar técnicas da biologia celular. As variedades antigas ou selvagens podem ter características de resistência interessantes, mas, por vezes, são difíceis de cruzar com as variedades comuns utilizadas por produtores de vegetais. Em muitos casos, a fertilização parece ser bem-sucedida, mas a semente de tal combinação não é suficientemente resistente para germinar e se transformar numa planta saudável. Por vezes é possível cultivar a semente de uma planta cruzada única em condições de laboratório. A planta gerada a partir desta semente é então cruzada com linhas de qualidade. Após o cruzamento e a seleção ao longo de algumas gerações, pode surgir uma nova variedade com a característica única da variedade selvagem e uma semente capaz de germinar. A Bejo desenvolveu novas variedades de cebola resistentes ao míldio, como Hylander e Powell, tendo como base uma cebola selvagem sujeita a um processo de cruzamento.

Se, após a seleção, a planta cruzada aparentar ter potencial, a mesma será depois amplamente testada: queremos saber como é que uma potencial variedade nova desse tipo se desenvolve em circunstâncias naturais. A Bejo avalia isto primeiro nos seus próprios campos, habitualmente situados em diferentes lugares espalhados pelo mundo. Só depois é que serão realizados testes práticos nos campos dos nossos clientes. Só iniciamos a produção de sementes para a introduzir como uma variedade comercial quando na prática se tornar claro que a nova variedade representa um valor acrescentado.

O cultivo seletivo para efeitos de resistência não tem fim

O desenvolvimento de novas variedades de vegetais resistentes a doenças e pragas não tem fim. No campo, os agentes patogénicos podem adaptar-se às culturas resistentes e, eventualmente, vir a afetar a planta. Nesse caso, a resistência é suprimida e os obtentores e investigadores têm de começar tudo de novo. É uma corrida ao "armamento".

Além disso, cada área do mundo requer uma resistência diferente. Por exemplo, uma couve branca no início da primavera pode reagir bem na Europa Oriental, enquanto no clima tropical húmido da Ásia a mesma variedade é sensível à bactéria Xanthomonas.

Insetos

As condições variáveis no cultivo e as alterações de regulamentos também podem ter impacto na procura de variedades resistentes. A proibição de um pesticida contra insetos geralmente resulta numa alteração nos níveis de doença. O dano causado pela mosca da couve aumenta o efeito das infeções bacterianas ou fúngicas secundárias.

Também estamos muito atentos à possibilidade de tornar as plantas resistentes aos insetos através do cultivo seletivo. Isto é um desenvolvimento novo e promissor a nível do cultivo seletivo para efeitos de resistência.

Métodos de cultivo sustentável

Na Bejo, acreditamos que os nossos escassos recursos naturais merecem ser protegidos para que possamos continuar a colher no presente, bem como dentro de cinquenta anos. Para tal, o desenvolvimento de variedades resistentes é essencial. No nosso Centro de investigação de Warmenhuizen, na Holanda, estamos constantemente à procura de alternativas para melhorar os métodos de cultivo seletivo. Os nossos obtentores e investigadores colaboram com especialistas em várias universidades e durante ensaios de campo.

A Bejo investe nas ciências da vida inovadoras, no entanto, a base principal é, e continua a ser, a obtenção natural. Estamos próximos da natureza. Ainda há muito para se descobrir. A descoberta da natureza não tem fim.