Vantagens do cultivo de bolbos face ao cultivo de sementes:

  • Colheita mais precoce do que com a produção a partir de sementes. 
  • Desenvolvimento mais rápido da colheita, o que faz com que esta seja boa mesmo em substratos tardios. 
  • Sistema radicular forte, o que permite obter bons resultados mesmo em solos afectados por secas. 
  • Planta robusta, o que elimina as complicações decorrentes do controlo de ervas daninhas. Menor risco de perda de plantas por acção do vento em solos leves. 
  • Muito adequada ao seu tratamento
Classificação

Caso deseje, os bolbos de cebola Quality inside podem ser fornecidos em calibres de classificação. As vantagens são as seguintes:

  • Alto grau de uniformidade. 
  • Nos calibres maiores, até 20% de aumento de produção. 
  • Permite o máximo controlo sobre o calibre desejado no produto final. 
  • Permite o máximo controlo sobre o adiantamento desejado na colheita do produto final.

Classificação

Tamanho

Clase 1

10/14 mm

Clase 2

14/17 mm

Clase 3

17/21 mm

Clase 4

21/24 mm

Índice de rendimento por cada calibre de classificação
 

  

Directamente do produtor: garantia dos melhores resultados

O período de crescimento das diferentes classes pode variar até 6 dias. Quanto maiores os bolbos, mais rapidamente terminará a sua produção. Outro factor determinante é a densidade das plantas. Estima-se que os bolbos de cebola da Classe 1, plantados com uma densidade de 700.000 bolbos por hectare, crescerão ao mesmo ritmo que os bolbos de Classe 3 plantados a uma densidade de 555.000 bolbos por hectare.

Se a densidade das plantas e o período de crescimento for o mesmo, os bolbos grandes darão lugar a um produto final também de maior tamanho. No entanto, os de menor calibre têm um período de crescimento mais prolongado, e o calibre final pode ser quase o mesmo do que o dos produtos de classe superior.

Calibre do produto cultivado

  

Como calcular o número de bolbos que se devem plantar por ha.
 

Linhas por sulco (150 cm)

Número de bolbos por metro linear

12

14

16

18

20

22

24

4

320.000

373.333

426.667

480.000

533.333

586.667

640.000

5

400.000

466.667

533.333

600.000

666.667

733.333

800.000

6

480.000

560.000

640.000

720.000

800.000

880.000

960.000

 

 

Com o quadro anterior é possível calcular a quantidade de bolbos de cebola que se podem plantar num hectare. Na linha vertical coloca-se o número de linhas por sulco de 150 cm. Isto depende do sistema de plantação de cada produtor. Seguidamente, a linha horizontal, escolhe-se o número de bolbos que se pretende plantar por metro linear da linha. O ponto de cruzamento indica o número de bolbos que se deve plantar. 

Exemplo: vamos supor que um produtor tem 5 linhas por sulco e deseja plantar 18 bolbos por metro. O resultado será 600.000 bolbos por ha.

Com a tabela seguinte poderá calculara quantidade de quilos que pode plantar consoante os diferentes calibres. Por exemplo, o exemplo anterior indica-nos que se devem plantar 600.000 bolbos de cebola. No caso da “Classe 2”, serão necessários 1.714 quilos de bolbos de cebola.

Número de bolbos que se devem plantar por ha. 
Unidades / kg

400.000

500.000

600.000

700.000

800.000

900.000

Clase 1

625

640

800

960

1.120

1.280

1.440

Clase 2

350

1.143

1.429

1.714

2.000

2.286

2.571

Clase 3

200

2.000

2.500

3.000

3.500

4.000

4.500

Clase 4

130

3.077

3.846

4.615

5.385

6.154

6.923

Tamaño 10/21 mm

400

1.000

1.250

1.500

1.750

2.000

2.250

O número de quilos de bolbos pode variar em 5% para cima ou para baixo.

Podridão do colo e bolbos de cebola de segundo ano

A podridão do colo é uma infecção imprevisível. Um produtor pode ser afectado, enquanto outros da mesma zona não sofrem qualquer problema. Este factor faz com que o problema seja complicado de resolver, sendo que muitos produtores ignoram mesmo as causas e os sintomas. Em consequência, o problema não é detectado até que as cebolas estejam afectadas. Não obstante, podem aplicar-se algumas regras gerais para detectar a infecção.

A podridão do colo por fungos (botrytis allii) dá-se com frequência em bolbos de segundo ano de colheita precoce. Quando se analisam as causas a posteriori, costumam detectar-se dois factos (que a seguir se explicitam) que não foram tidos em consideração durante as fases de colheita e cura. Para evitar estes problemas, a primeira coisa a observar são as circunstâncias em que se desenvolveu o fungo que provoca a podridão do colo. Explica-se seguidamente com todos os pormenores como proceder.
 

Facto 1: o fungo que provoca a podridão do colo está sempre presente

Durante a temporada de crescimento da cebola, o fungo está sempre presente. O fungo botrytis allii provoca a proliferação de organismos em hibernação, denominados sclerotium, que sobrevivem facilmente numa cebola podre ou no solo. Na primavera, este sclerotium forma esporos que o vento espalha sem dificuldade e que se depositam nas cebolas em crescimento. Os esporos aguardam que se verifiquem as condições adequadas (ver Facto 2) para se desenvolverem na cebola. Não é permitido proceder a pulverização antes da colheita: alguns agentes têm efeitos secundários e um período de cobertura de, no máximo, cinco dias.

Facto 2: o fungo da podridão do colo exige a conjugação de diversos factores para se desenvolver: condições óptimas de temperatura, humidade e tempo, bem como a existência de uma fissura ou fenda na folha que permita a sua penetração na cebola.

Para poder penetrar na cebola, a primeira coisa de que o fungo necessita é de um corte ou uma zona danificada no tecido da cebola. Estes podem ser provocados por:

  • danos causados pelo granizo
  • praga de “trips” ou tripídeo
  • outras infecções por fungos
  • maturidade da planta: por exemplo, folhas dobradas
  •  folhas que se soltam (parte superior) durante a colheita

Durante a maturação das folhas é habitual aparecerem fissuras e danos nas folhas. Isto permite a penetração do fungo nas cebolas e o seu desenvolvimento depois de alojado. O desenvolvimento do fungo no colo ou no bolbo da cebola depende do processo de maturação. Os factores que contribuem para isso são a temperatura, a humidade e o tempo. A temperatura óptima para o desenvolvimento do agente patogénico situa-se entre os 22 e os 25°C. Caso as condições de humidade também sejam adequadas (por exemplo, se chover) e o período em que estas condições favoráveis se mantêm for suficientemente prolongado, o fungo poderá desenvolver-se no bolbo. Se as folhas forem removidas mesmo antes da colheita, reduz-se o tempo disponível para que o fungo cresça dentro da cebola. Caso as folhas se acumulem muito perto do bolbo e por baixo deste (por debaixo da linha onde a última folha rebenta), o referido período de tempo reduz-se ainda mais. Isto explica a razão de as cebolas, às quais se retiraram as folhas, correrem o risco de ficar infectadas pela podridão do colo, também devida a um fungo. Por tudo o que foi exposto, é de vital importância colocar as cebolas num local fechado, antes de iniciar o processo de secagem posterior à colheita, após a remoção das folhas. Se a cura tiver início imediatamente impede-se a ocorrência dos factores indicados (humidade e tempo) e reduz-se o risco de desenvolvimento de fungos nos bolbos.

Como os bolbos de segundo ano costumam ser cultivados para obter uma colheita mais rápida, estas culturas apresentam um risco muito superior de infecção pelo fungo que causa a podridão, em comparação com as cebolas cultivadas a partir de sementes. Existem ainda outros factores que contribuem para isto:

  • Colheita das cebolas efectuada com estas ainda verdes (as folhas são removidas antes de tempo)
  • Período de temperatura média mais elevada registado durante o período de colheita
  • Normalmente com temperaturas adequadas à propagação dos fungos (22-25°C)
  • Colos imaturos mais grossos, com um conteúdo superior de humidade
  • Colheita após um período de chuvas
  • Humidade suficiente para estimular o fluxo de seiva no bolbo

Estas condições são óptimas para a penetração do fungo da podridão no interior do bolbo. A propagação deste fungo por toda a cebola deve ser travada logo no colo. Nunca se deve adiar a cura das cebolas armazenadas em zonas interiores. Na eventualidade de as cebolas ainda estarem verdes quando, após a colheita, são colocadas em zonas interiores, deve proceder-se à sua secagem com um dispositivo que force a subida da temperatura até aos 30°C, com uma tolerância de ± 3ºC para além da temperatura da pilha. A aplicação de uma temperatura constante (30ºC) à pilha de cebolas durante 4 ou 5 dias permite a destruição do fungo.

A presença da infecção por podridão é geralmente detectada quando as cebolas já foram entregues. Isto sucede normalmente porque o colo não está bem seco, mas as cebolas são entregues porque os preços começam a descer. Assim, o fungo encontra a oportunidade perfeita para terminar o seu trabalho de destruição. O resultado será um cliente insatisfeito que não tornará a comprar cebolas a esse produtor.

Resumem-se a seguir as questões a ter em conta.

Condições para a colheita
  1. Em colheitas antecipadas, as cebolas deverão estar bem desenvolvidas e espigadas (a parte superior não deve apresentar sinais de estar a murchar) e o colo deve ser suave ao tacto.
  2. Remover as folhas e extrair as cebolas quando estiverem secas.
  3. Remover sempre as folhas na parte de cima da zona onde se começa a formar um sulco na parte interior da folha. Este ponto encontra-se cerca de 10 cm acima do colo do bolbo.
  4. Caso a folhagem seja cortada em excesso e se extraiam e colham os frutos húmidos, aumenta-se consideravelmente o risco de danos no colo e, consequentemente, de infecção por podridão.
Como combater a podridão do colo
  1. Se as cebolas forem extraídas ainda verdes, devem deixar-se secar no campo durante 1 ou 2 dias, mas apenas se o tempo estiver seco. Seguidamente deve proceder-se à secagem controlada no interior, utilizando naves ou secadores para o efeito.
  2. Aumentar rapidamente a temperatura até aos 30° C; recomenda-se que a gama de temperaturas entre os 22 e os 25°C seja ultrapassada o mais rapidamente possível. O fungo que causa a podridão do colo desenvolve-se com maior rapidez dentro desta gama de temperaturas (22-25°C). Para poupar combustível, feche parcialmente as persianas exteriores durante a noite.
  3. Quanto mais rápida for a secagem do colo do bolbo, menos possibilidades existem de desenvolvimento de fungos e bactérias no bolbo, garantindo-se, assim, uma melhor qualidade das cebolas.
  4. Para assegurar que as medidas anteriormente referidas são eficazes, é essencial que exista uma boa ventilação e que a capacidade de cura seja eficiente.
Capacidade de ventilação
  1. A capacidade mínima de ventilação deve ser de 150 m3 de ar por cada m3 de cebolas, com uma coluna de água de 30 mm. Isto corresponde a cerca de 4,0 kW por cada 100 toneladas de cebolas, exigindo uma capacidade mínima de caldeira de 60.000 Kcal por cada 100 toneladas de cebolas.
  2. Formar uma pilha de cebolas com altura não superior a 4 metros.
  3. Colocar o sensor de temperatura na pilha, a uma profundidade de 1,5 m, mesmo por cima de uma conduta de entrada de ar.
Aquecer e secar a 30° C

Submeter a pilha a uma temperatura de 30° nos seguintes casos:

  1. Se os lotes colhidos se apresentam ainda verdes (apesar de poderem ter sido colhidos na altura certa).
  2. Se considera importante a questão do controlo da podridão do colo. A temperatura da entrada de ar com este programa (30°C) subirá, no máximo, até aos 32°C.

Esta informação foi compilada com o máximo rigor e é disponibilizada apenas para fins de orientação, tendo por base os resultados da nossa própria experiência ao longo dos anos. Todos os dados deverão ser interpretados de acordo com as diferentes situações e condições. Não decorre nenhum direito dos dados facultados.